Resumo do Módulo 7

TEXTOS-CHAVES: Gn 15:6; 17:5; 18:23

FOCO DO ESTUDO: Gn 15–19; Rm 4:2-11; Am 4:11

ESBOÇO

Introdução: Nesta semana, chegamos ao cerne da experiência religiosa de Abrão. Foi a ocasião em que Deus fez Sua aliança com o patriarca, que é a segunda aliança de Deus após Sua aliança com Noé (Gn 6:18–9:20). A aliança abraâmica contém os mesmos requisitos da aliança com o patriarca do dilúvio. Como na aliança com Noé, a aliança abraâmica começa com uma cerimônia sacrifical associada à promessa de um filho e uma pátria. A aliança é confirmada por um sinal. A aliança abraâmica tem, no entanto, diferenças em relação à aliança com Noé e apresenta novos elementos. Possui duas cerimônias de sacrifício. O sinal é a circuncisão, e Abrão recebe o novo nome de Abraão. Além disso, a narrativa bíblica fornece duas perspectivas diferentes dessa aliança. Enquanto na aliança com o antediluviano o foco está em Deus, e a pessoa de Noé é subjugada, a aliança com Abraão inclui a perspectiva de Abraão, e, como resultado, seu curso se desenvolve de uma maneira mais complicada.

Temas da lição:

  • A tensão da fé. A fé de Abraão é composta por perguntas e dúvidas; Abraão acredita em Deus apesar de si mesmo. Sua risada significa ironia e espanto. Sua oração a Deus está cheia de submissão e desafios.
  • As leis da hospitalidade. O cuidado de Abraão para com seus convidados estrangeiros contrasta com a insensibilidade e ameaças dos sodomitas para com os estrangeiros.
  • A intercessão. Então Abraão rogou pelos ímpios da cidade de Sodoma, esperando que houvesse justos o suficiente para evitar a destruição.

COMENTÁRIO

Abrão crê no Senhor

A fé de Abrão iniciou-se com temor e continuou com dúvidas e perguntas. O que ele mais temia era o desconhecido, seu futuro, algo que não podia controlar. Por isso, Abrão confiava no presente e fez de seu servo Eliézer seu herdeiro (Gn 15:2). E, quando Deus falou com Abrão, usou uma série de expressões que apontavam para o futuro. A frase “não tenha medo” é com frequência associada à promessa de descendentes. A mesma promessa para o futuro também está contida na palavra magen, “escudo” (Gn 15:1), que ecoa o verbo magan, “entregar” (Gn 14:20), usado em conexão com sua vitória passada. Assim, vemos que o Deus que salvou Abrão no passado é o mesmo Deus que o salvaria posteriormente. Considerar Deus como seu futuro inspirou em Abrão a fé no futuro: “Abrão creu”.

O verbo hebraico he’emin, “creu”, descreve mais do que um processo sentimental ou intelectual ou a mera referência a um credo. Em hebraico, “crer” é relacional, conforme implícito na raiz ‘aman, “firme”, “confiável”. Ao confiar em Deus, Abrão “creu” que teria descendentes. É essa fé que Deus lhe “atribuiu” como “justiça”. Em outras palavras, o Pai “considerou” essa fé como tendo o mesmo valor de justiça. Essa visão tem sentido no contexto das antigas crenças egípcias. No antigo Egito, o peso da justiça humana era avaliado com base na contagem das obras humanas em relação ao peso de Maat, a justiça divina; no caso de Abrão, era avaliada com base nas obras divinas em favor dele. O que tornou Abrão justo não foi a soma de suas obras, mas sua fé nas obras de Deus por ele (Rm 4:2-4).

Abraão ri com o Senhor

A reação imediata de Abraão ao anúncio divino foi prostrar-se em silêncio e temor (Gn 17:17). Essa foi a segunda vez em que ele se prostrou em silêncio (compare com Gn 17:3). Dessa vez, porém, o ato de prostrar-se estava associado ao riso, o primeiro riso registrado na Bíblia. Não está claro se esse riso indicava ceticismo ou espanto. O fato de que tenha ocorrido no contexto de seu ato de adoração sugere que indicava espanto. No entanto, assim que Abraão falou, o ceticismo prevaleceu. Ele propôs uma solução razoável referindo-se a Ismael. Essa recomendação cética de sua parte exigiu que Deus fosse específico. A promessa divina não dizia respeito a Ismael. Deus respondeu às perguntas de Abraão de forma explícita, com o nome de Isaque (Gn 17:19). Ironicamente, Isaque significa “ele ri”, ecoando o riso de Abraão.

Mas, dessa vez, foi Deus quem riu, pois o nome Isaque contém o nome de Deus, como sugerem os estudos linguísticos semíticos e bíblicos sobre nomes. Em paralelo ao nome Ismael, “Deus ouviu”, o nome de Isaque também deve ter levado, ao menos implicitamente, o nome de Deus: “[Deus] riu”. O riso do Senhor relembrava o riso de Abraão. Mais tarde, Sara também haveria de rir. O contexto do riso de Sara aumenta o espanto implícito nas situações anteriores. Sara, que estava escondida no interior da tenda, ouviu sobre a inacreditável notícia do nascimento e depois riu disso. Então algo estranho aconteceu. Embora tivesse rido “em seu íntimo” (Gn 18:12), o visitante conheceu seus pensamentos (Gn 18:10). Essa capacidade excepcional indicou a Abraão e a Sara que estavam na presença do Senhor, o que garantiu a maravilha do nascimento milagroso. Ao primeiro riso de Abraão, de dúvida e temor, Deus respondeu com um riso de ironia e promessa.

Abraão cozinha para o Senhor

Pela primeira vez, Abraão recebia convidados celestiais sem saber. Suas atitudes seriam lembradas como um modelo de hospitalidade (compare com Hb 13:2). Em vez de se envolver de imediato com a promessa da aliança, motivo de Sua visita, Deus entrou na esfera humana. Ele foi visto, conhecido e alimentado por Abraão. Era a hora da sesta. Abraão estava sentado diante da tenda, como se estivesse esperando, aguardando que alguém chegasse. No deserto, passavam poucas pessoas. Por isso, quando avistou alguém de longe, ele correu, o que é extraordinário, considerando sua idade avançada (ele tinha 99 anos) e o fato de que havia sido circuncidado havia pouco tempo (Gn 17:24). Assim que se encontrou com os convidados, ocupou-se em atendê-los e preparou-lhes uma refeição. Depois de oferecer água para lavar os pés deles (Gn 18:4), Abraão selecionou o melhor alimento para a refeição (Gn 18:6, 7) e envolveu toda a sua família nesse trabalho. Sara preparou o pão (Gn 18:6), e o jovem, provavelmente Ismael, preparou o bezerro (Gn 18:8). No entanto, Abraão humildemente qualificou a refeição como “um pouco de comida” (Gn 18:5). Obviamente, sua atenção e seu zelo para com os três visitantes resultavam de sua intuição de que eles fossem de uma classe especial. O fato de que ele se dirigiu a um deles como Adonai, “Senhor meu” (Gn 18:2, 3), sugere essa percepção. O oferecimento de alimento e água ao Visitante não exclui necessariamente o reconhecimento da identidade divina. A expressão “humana” dos visitantes, que se puseram de pé (Gn 18:2), comeram (Gn 18:8) e conversaram (Gn 18:9), fazia parte da estratégia divina da encarnação do Senhor, que desceu até os humanos. Abraão ficou ao lado deles (Gn 18:8), atento às suas necessidades e pronto para servi-los.

Abraão insiste com o Senhor

O verbo “permanecer”, usado apenas para descrever Abraão servindo seus convidados (Gn 18:8), reaparece para caracterizar sua atitude para com Deus (Gn 18:22). A preposição “diante”, que acompanha o verbo “permanecer”, é normalmente usada para descrever reverência perante Deus e um momento de oração a Ele (Dt 10:8; 1Rs 17:1; Zc 3:1). Esse exemplo mostra a primeira vez na Bíblia que alguém orou em favor de outra pessoa. Até Noé permaneceu em silêncio em circunstâncias semelhantes (Gn 6:13-22). O verbo hebraico wayyigash, “aproximar-se”, sugere a hesitação de Abraão e sua lenta aproximação de Deus (Gn 18:22, 23). Abraão foi ousado, mas permaneceu respeitosamente à distância. Com muito tato, dirigiu-se a Deus com um total de sete perguntas. Abraão envolveu o Senhor em uma sessão de súplica insistente, passando de 50 para dez. Com base em Amós 5:3, sugeriu-se que 50 significam meia cidade pequena, que contém um mínimo de 100 homens (compare com Jz 20:10). Abraão começou seu desafio assumindo um número igual de justos e iníquos na cidade. Quando chegou ao número dez (Gn 18:32) entendeu que havia atingido o limite e, portanto, decidiu que não iria além desse número. O número dez simboliza a ideia de mínimo. Significativamente, dez é representado por yod, a menor letra do alfabeto hebraico (veja Mt 5:18). Mais tarde, o número dez se tornaria no judaísmo o mínimo exigido para a comunidade de adoração (minyan). Que esse mínimo de dez justos seria suficiente para salvar a comunidade coletiva é um conceito que prefigura o ministério do Servo sofredor, que “justificará a muitos” (Is 53:11). Depois de haver dado seis respostas, Deus encerrou abruptamente sua conversa com Abraão. Embora tenha consentido em consultar os humanos, permaneceu soberano em Seu julgamento.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Abraão creu no Senhor. Como podemos treinar as pessoas para ter fé? Por que a fé bíblica se ocupa, essencialmente, do futuro? Como você aconselharia alguém que acabou de perder um ente querido a ter fé? Como pode relacionar a fé pessoal com a esperança?

Abraão riu com o Senhor. Discuta sobre o argumento que às vezes é apresentado de que o riso vem do diabo. Pesquise na Bíblia (AT e NT) exemplos de risos e humor. Por que o riso e o humor são compatíveis com a religião verdadeira? Por que algumas religiões rejeitam o riso?

Abraão cozinhou para o Senhor. Como o zelo do patriarca em preparar um bom alimento inspira missão e adoração? Encontre na Bíblia (AT e NT) momentos em que o alimento e as refeições desempenharam papel crucial nos ritos cerimoniais de uma aliança com Deus. Por que o alimento é tão importante na Bíblia? Por que o ascetismo (abstenção de prazeres carnais e do conforto material, de quem busca alcançar a perfeição moral e espiritual) é incompatível com os valores bíblicos?

Abraão insistiu com o Senhor. Por que a ousadia de Abraão e o desafio à vontade divina foram um ato de fé? Como você aplicaria esse exemplo à sua experiência de oração? Encontre casos na Bíblia e na história em que uma pessoa religiosa suplicou de forma insistente e fez um acordo com Deus.