A tentação do Egito

Leia Gênesis 12:10-20. Por que Abrão deixou a terra prometida para ir ao Egito? Como o Faraó se comportou em comparação a Abrão?

Ironicamente, Abrão, que havia acabado de chegar à terra prometida, decidiu deixá-la e ir para o Egito porque “havia fome naquela terra” (Gn 12:10). Textos egípcios antigos mostram pessoas de Canaã indo para o Egito em tempos de fome. No ensinamento egípcio de Merikare, texto da época do Império Médio (2060–1700 a.C.), pessoas vindas de Canaã são identificadas como “miseráveis asiáticos” (aamu) e descritas como pessoas “com falta de água […], que não habitam um lugar; a comida impulsiona suas pernas” (Miriam Lichtheim, Ancient Egyptian Literature, v. I: The Old and Middle Kingdoms [Berkeley, CA: University of California, 1973], p. 103, 104).

A tentação do Egito era um problema frequente para os israelitas (Nm 14:3; Jr 2:18). O Egito se tornou um símbolo de seres humanos que confiam em seres humanos em vez de Deus (2Rs 18:21; Is 36:6, 9). Nesse país, em que havia água diariamente, a fé não era necessária, pois a promessa da terra era visível. Comparado com a terra da fome, o Egito parecia um bom lugar para ficar, apesar do que Deus havia dito.

O Abrão que deixou Canaã contrastava com o Abrão que havia deixado Ur. Antes, Abrão era retratado como um homem de fé que deixou Ur em resposta ao chamado divino; depois, Abrão deixou a terra prometida por si mesmo, por sua vontade. Antes, confiou em Deus; depois, se comportou como um político presunçoso, manipulador e antiético, que contava apenas consigo mesmo. “Durante sua permanência no Egito, Abraão deu prova de que não estava livre de fraqueza e imperfeição humanas. Ocultando o fato de que Sara era sua esposa, evidenciou desconfiança no cuidado divino – falta daquela fé e coragem sublime tão frequente e nobremente exemplificada em sua vida” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 99, 100 [130]).

Ainda que um grande homem cometa erros, ele não é abandonado por Deus. Quando o NT fala sobre Abraão como exemplo de salvação pela graça, quer dizer exatamente isso: graça. Se não fosse a graça, não haveria esperança para Abraão (nem para nós).