Resumo do Módulo 2

TEXTO-CHAVE: Gn 3:15

FOCO DO ESTUDO: Gn 3; Ap 12:7-9; Rm 16:20; Hb 2:14; 1Tm 2:14, 15

ESBOÇO

Introdução: Nos primeiros dois capítulos da Bíblia, observamos que, em cada estágio da criação, Deus avaliou seis vezes Sua obra como “boa” (Gn 1:4, 10, 12, 18, 21, 25). No fim da semana da criação, durante Sua sétima avaliação, Deus considerou Seu trabalho “muito bom” (Gn 1:31). Além disso, os primeiros humanos foram descritos como ‘arom, “nus”, “inocentes” (Gn 2:25), ainda não seduzidos pela serpente, caracterizada como “astuta” (Gn 3:1). Os humanos desobedeceram ao primeiro mandamento de Deus de não comer da “árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2:17). Como resultado, o mal e a morte surgiram, e o primeiro casal teve que deixar o jardim do Éden. Foi nesse contexto de desesperança que a primeira profecia de esperança, o primeiro evangelho, ecoou. É significativo que a primeira profecia messiânica (Gn 3:14, 15) esteja localizada exatamente no centro da estrutura do capítulo (ABCDC1B1A1):

A – Gn 3:1-5. Serpente – Eva, Deus ausente: tentação de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

B – Gn 3:6-8. Adão – Eva: vestes humanas

C – Gn 3:9-13. Deus – Adão – Eva: juízo investigativo

D – Gn 3:14, 15. Deus-serpente: profecia messiânica

C1 – Gn 3:16-19. Deus – Eva – Adão: Sofrimento

B1 – Gn 3:20, 21. Adão – Eva: vestes feitas por Deus

A1 – Gn 3:22–24. Somente Deus: Proibição de comer da árvore da vida

A estrutura do capítulo destaca dois temas principais: tentação e salvação.

COMENTÁRIO

A tentação de Eva

A primeira seção do texto (Gn 3:1-13) conta a história da tentação e analisa seu mecanismo. Ironicamente, a tentação começou com uma conversa teológica ou, mais precisamente, uma discussão exegética sobre o significado da palavra de Deus: “É verdade que Deus disse […]?” (Gn 3:1). A serpente iniciou a discussão fazendo uma pergunta à mulher, que respondeu de imediato. O diálogo entre a serpente e a mulher se desdobrou em duas rodadas. Observemos a estratégia da serpente e o erro da mulher.

Rodada 1 (Gn 3:1-3)

A estratégia da serpente (leia Gn 3:1). Que método pedagógico a serpente usou para aproximar-se da mulher? Por que a serpente pareceu concordar com Deus? Como a serpente comentou a palavra de Deus? O que torna seu comentário perigoso e enganoso? O erro da mulher (Gn 3:2, 3). Por que a mulher estava próxima à serpente? Por que ela lhe respondeu de imediato? Por que a resposta dela foi longa em comparação com a pergunta da serpente?

Rodada 2 (Gn 3:4-6)

A estratégia da serpente (leia Gn 3:4, 5). Quais foram as duas questões que a serpente abordou em sua resposta à mulher? Como essas duas questões se relacionam entre si? O que esses dois argumentos dizem sobre o interesse da mulher?

O erro da mulher (leia Gn 3:6). Que elementos da resposta da mulher indicam a influência da serpente sobre ela? Por que Adão não conversou com Eva sobre sua decisão de comer do fruto?

Assim que Eva ouviu as últimas palavras da serpente, “como Deus, vocês serão” (Gn 3:5), desejou ser como Deus. A frase que descreve o primeiro movimento em direção à tentação, “vendo a mulher que a árvore era boa”, é uma repetição exata da avaliação regular de Deus sobre Sua criação: “E Deus viu que isso era bom”. Esse paralelo sugere, talvez, que a intenção da mulher fosse tomar o lugar do Criador, como se ela mesma tivesse criado o fruto e esse fosse sua propriedade.

A salvação da humanidade

Deus já havia explicado sobre a consequência dessa desobediência: a morte (Gn 2:17). Essa perspectiva é imediatamente confirmada nos textos que falam de uma natureza conturbada (Gn 3:17, 18), da primeira violência humana e da primeira morte de um ser humano (Gn 4:8).

Assim, a primeira profecia messiânica se destaca em contraste com um pano de fundo da primeira experiência humana de desesperança. A profecia tem a forma de um belo poema. A estrutura temática e o ritmo das palavras desse texto sugerem duas estrofes, ou sistemas rítmicos compostos por dois ou mais versos recitados como uma unidade. Depois de uma declaração introdutória de três palavras, a primeira estrofe (Gn 3:14) progride em seis versos com um ritmo irregular de palavras.

Após uma introdução de uma palavra, a segunda estrofe (Gn 3:15) progride em quatro versos com um ritmo regular de palavras.

Existe um forte contraste entre as duas estrofes. A primeira estrofe é negativa e contém uma mensagem de desesperança, que envolve a serpente. A segunda estrofe é positiva e contém uma mensagem de esperança, que envolve o Messias. Na verdade, a segunda estrofe é a única mensagem positiva do capítulo – uma janela de luz na escuridão. Tendo como pano de fundo a desesperança, a queda da humanidade e a perspectiva cósmica da morte e do mal, esse texto bíblico anuncia a futura salvação do mundo em termos proféticos. Segundo esse texto, a redenção da humanidade implicaria necessariamente uma luta com a serpente, que se oporia à Descendência da mulher, ou seja, um “Homem” que nasceria no futuro.

Mas o que significa a palavra Descendência? Essa palavra não deve ser entendida em um sentido coletivo, referindo-se à humanidade ou a um povo (Israel, por exemplo), nem em um sentido particular, significando um indivíduo humano específico. É interessante notar que no verso seguinte a “Descendência” foi substituída pelo pronome “Este” (em hebraico, hu’), que é o verdadeiro sujeito do verbo “ferir” (shuf ). Assim, “Este” recebeu uma ênfase especial na estrutura do parágrafo e na sintaxe da frase: aparece como o centro exato da estrofe no exato momento em que o ritmo poético passa de quatro para três tempos.

Essa mudança rítmica indica que esse pronome é o elo da passagem. Além disso, “Este” é a primeira palavra da frase, o que lhe confere ênfase. Das 103 passagens em que o pronome hebraico hu’, “este”, é traduzido na Septuaginta, Gênesis 3:15 é a única ocorrência em que o pronome não concorda com seu antecedente imediato.

Na verdade, a forma grega do pronome (autos) não se refere nem à mulher (não é feminino), nem à descendência (não é neutro). Em vez disso, autos se refere a um indivíduo do sexo masculino. Essa irregularidade sintática nos mostra que os tradutores tinham em mente uma Pessoa específica, um Homem real da história, o Messias. Essa interpretação messiânica de Gênesis 3:15 é atestada até mesmo pelas Escrituras hebraicas. Um dos testemunhos mais eloquentes desse ponto de vista encontra-se no Salmo 110, onde as palavras de Gênesis 3:15 reaparecem e são aplicadas diretamente ao Messias davídico. As palavras do salmo, “Até que Eu ponha os Seus inimigos” (Sl 110:1), são de fato uma repetição verbal das primeiras palavras da promessa de Gênesis, “Porei inimizade”.

Esses são os únicos dois textos da Bíblia em que se emprega essa associação de palavras. Ademais, também está ligada à imagem do inimigo rastejando sob os pés como expressão dessa mesma ideia de vitória (Sl 110:1). Além disso, o tema familiar de “ferir a cabeça”, em Gênesis 3:15, reaparece e é repetido duas vezes (Sl 110:6, 7).

Esses numerosos paralelos entre as duas passagens sugerem que o autor do Salmo 110 tenha se referido à promessa profética de Gênesis 3:15 e a interpretou em um sentido “messiânico”. Aquele que foi retratado em Gênesis 3:15 como esmagando a serpente foi explicitamente identificado como o futuro Messias davídico. No Salmo 110, a obra do Messias vai além da agenda de Gênesis 3:15. O Messias, como a Descendência de Gênesis 3:15, não só esmaga o inimigo, mas também é chamado para sentar-Se à direita de Deus, compartilhar Seu reinado e governar com Ele (Sl 110:1, 2). O Messias também julga e executa reis e muitas nações (Sl 110:5, 6), tendo Deus ao Seu lado direito. Ele até recebe uma função na adoração: ele é um Sacerdote que serve à frente de um cortejo de sacerdotes, e esse sacerdócio se estende para a eternidade (Sl 110:4). Também, a interação entre os nomes do Messias, chamado Adoni, e o Senhor, chamado Adonai, sugere até mesmo uma intenção de identificar o Messias com o próprio Senhor. Esse Messias é Jesus Cristo no trono celestial (Mt 22:44).

Perguntas para discussão e reflexão: Leia Romanos 5:8; Apocalipse 12:7-9. Por que Jesus cumpre essa profecia? Como essa profecia messiânica influencia o ministério messiânico de Jesus Cristo? Por que é importante que Deus seja Aquele que deve lutar contra a serpente e morrer no processo?

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Enquanto caminhava pela floresta, um jovem ouviu o canto de um pássaro. Ele se voltou e, para sua surpresa, viu um passarinho que havia caído de uma árvore. Com cuidado e grande empatia, o jovem pegou a frágil criaturinha nas mãos e com ternura colocou o passarinho em uma pilha de esterco quente de animal que estava ali perto. No entanto, o passarinho continuou cantando. Uma raposa que ouviu o canto do pássaro o pegou e o devorou. Essa fábula contém três lições: primeira, quando alguém o coloca no esterco, esse ato não significa que ele quis seu mal. Segunda lição, quando alguém tira você do esterco, esse ato não significa que ele queira o seu bem. Terceira lição, quando você está no esterco, por que cantar?

Questões para discussão e reflexão: Como essas três lições se aplicam ao problema do mal no mundo? Como podem ajudar você a lidar com o mal no mundo e em sua vida?

Discuta a primeira lição (leia Gn 3:17-19). Por que há o mal e a morte? O mal e a morte são uma condição normal do mundo? Discuta. Embora estejamos sob a maldição, qual é a nossa responsabilidade como cristãos no mundo?

Discuta a segunda lição (leia Gn 3:22; Rm 7:22, 23). Por que o bem está misturado com o mal? Qual é a melhor maneira de distinguir entre o bem e o mal?

Discuta a terceira lição (leia Sl 104:33, 34). Qual é a única solução para o problema do mal no mundo?