Introdução: O livro dos princípios
A palavra Gênesis entrou para a língua portuguesa vindo do grego através do latim. Na Septuaginta (LXX), formava o sobrescrito do primeiro livro da Bíblia. A palavra significa “origem, fonte, ou geração”. A palavra hebraica ber’eshîth, traduzida para “no princípio”, é a primeira palavra da Bíblia Hebraica. É com freqüência usada para designar o livro de Gênesis.
Natureza. Gênesis é o livro das origens. Apresenta uma narrativa majestosa do começo de tudo o que o Criador criou. Responde ás perguntas relativas à origem do mundo e da vida vegetal, animal e humana. Fala da instituição da família, da origem do pecado, da concessão da revelação divina, do crescimento e desenvolvimento da raça e da inauguração do plano de Deus para a realização da redenção por meio do Seu povo escolhido. Apresenta e ilustra verdades eternas, e resolve enigmas, mistérios e situações desorientadoras, à luz da vontade de Deus para o Seu povo. Em uma linguagem clara e significativa o escritor apresenta os planos e propósitos de Deus revelados, e as maravilhas do seu procedimento com os homens.
O Gênesis leva o leitor de volta ao momento super-importante da criação quando o Criador onipotente criou por meio da palavra as maravilhas incomparáveis do sol, da lua, das estrelas, dos planetas, das galáxias, das plantas, das criaturas viventes e de alguém que fez à Sua imagem. Nestes cinqüenta capítulos o inspirado escritor desdobra o drama da criação; ele fala de como o pecado entrou sub-reptícia e implacavelmente para introduzir a ruína, o desfiguramento e a morte; revela os frutos trágicos do pecado na derrota patética de nossos primeiros pais e mostra como, mais tarde, a maldade acumulada dos homens trouxe a destruição e quase a aniquilação da sociedade humana. Logo no começo o escritor traça o crescimento da nova raça e finalmente as biografias emocionantes de Abraão, Isaque, Jacó e os filhos de Jacó. O livro termina com a morte de José na terra do Egito.
Gênesis 1-11 apresenta a narrativa da vida do homem desde a criação até ao começo da vida de Abraão. Gênesis 12-50 conta o relacionamento de Deus com o Seu povo escolhido – Abraão, Isaque, Jacó, José e seus descendentes. Através de toda a narrativa, a principal preocupação do autor é a de apresentar o propósito de Jeová em criar e providencialmente guiar esse povo eleito. Não só o Gênesis, mas a Bíblia toda mostra que por intermédio deste povo, o Senhor procurou revelar a Sua natureza e os Seus planos para o mundo, estabelecer Sua santa vontade na terra e envia Suas “boas novas” da redenção a todos os homens. Nações e indivíduos são mencionados e descritos no livro apenas quando se encaixam no sublime plano e propósito do Senhor. Os sumerianos, hititas, babilônios e assírios, sempre quando sua história afeta a do povo escolhido, entram no quadro rapidamente a fim de demonstrar o propósito de Deus para o mundo. A cada passo, o Espírito procura tornar a revelação explícita aos homens de todos os séculos. No drama que se desenrola rapidamente, o plano de Deus vai sendo apresentado.
Autoria. Com segurança podemos declarar que Moisés é o responsável pela autoria do livro. É o primeiro livro do Pentateuco que ambas, as Escrituras e a tradição, atribuem a Moisés. Seria difícil descobrir um homem, em toda a série da vida de Israel, que fosse mais qualificado a escrever esta história. Educado na “sabedoria dos egípcios” (Atos 7:22), Moisés foi providencialmente preparado para compreender os registros e manuscritos disponíveis e a narrativa oral. Como um profeta ao qual foi concedido o incomum privilégio de longas horas de comunhão com Deus no Sinai, foi bem preparado para registrar para todas as gerações o retrato do Senhor e das Suas atividades através dos séculos. Que outro indivíduo, através dos séculos, possuiu tais poderes e tal fé e que tenha desfrutado de uma comunhão tão íntima com Jeová?
A descoberta nos tempos modernos de registros tão antigos como as Cartas de Amarna, a literatura Ugarítica (ou Ras Shamra), e tábuas de barro da Mesopotâmia (Mari e Nuzu), têm capacitado os mestres a reconstruírem os antecedentes históricos e culturais dos registros bíblicos, e descobrir como era a vida no Egito, na Palestina e na Mesopotâmia nos tempos bíblicos. Igualmente, muitos registros orais e escritos, pela antiguidade adentro, estavam à disposição do ilustre mestre hebreu, cuja educação egípcia e cujos estudos superiores na região do Monte Sinai tornaram-no cônscio dos significativos movimentos mundiais. De acordo com a tradição judia, quando o grande escriba Esdras voltou da Babilônia para Jerusalém, trazendo os manuscritos hebreus do Velho Testamento, ele se dispôs a trabalhar com prodigiosa energia para preservar, copiar e editar o antigo material que tinha em seu poder.
O Gênesis e a Ciência. Se um estudante espera encontrar no Gênesis uma narrativa científica de como o mundo começou a existir, com todas as questões referentes à vida primitiva respondidas na linguagem técnica familiar ao professor ou estudante de ciências, ficará desapontado. O Gênesis não é uma tentativa de responder tais perguntas técnicas. Ele trata de assuntos muito além do reino da ciência. O autor procura nos colocar em contato com o Deus eterno e revelar o significado sagrado do Seu Ser, Seu propósito e Seu relacionamento com as Suas criaturas conforme Ele opera Sua santa vontade. Este livro, tão notável por sua profundidade e exaltação moral, sua dignidade e grandeza, descreve o Deus eterno na tarefa de preparar um lugar onde suas criaturas amadas possam viver e crescer e revelar Sua divina glória.
ESBOÇO
I. O princípio de tudo. 1:1 – 11:32.
- A criação. 1:1 – 2:25.
- A tentação e a queda. 3:1-24.
- Os dois irmãos. 4:1-26.
- Sete e seus descendentes. 5:1-32.
- O pecado e o Dilúvio. 6:1 – 8:22
- Vida posterior de Noé e seus descendentes. 9:1 – 10:32
- A Torre de Babel. 11:1-32.
II. Os patriarcas. 12:1 – 50:26.
- Abraão. 12:1 – 25:18.
- A Chamada de Abraão. 12:1-9.
- O Patriarca no Egito. 12:10-20.
- A Partida de Ló. 13:1-18.
- Abraão, Ló, Melquisedeque. 14:1-24.
- Abrão Recebe a Promessa de um Herdeiro. 15:1-21.
- Ismael. 16:1-16.
- Novas Promessas, e a Reação de Abraão. 17:1-27.
- Sodoma e Gomorra. 18:1 – 19:38.
- Abraão e Abimeleque. 20:1-18.
- O Nascimento de Isaque; Ismael Expulso. 21:1-21.
- Abimeleque e Abraão. 21:22-34.
- Abraão e Isaque. 22:1-19.
- A Morte e o Sepultamento de Sara. 23:1-20.
- Eliézer, Isaque e Rebeca. 24:1-67.
- Últimos Dias de Abraão. 25:1-18.
- Isaque. 25:19 – 26:35.
- Isaque e Sua Família. 25:19-34.
- Isaque e Abimeleque. 26:1-35.
- Jacó. 27:1 – 36:43.
- Jacó e Esaú. 27:1-46.
- Jacó, Labão, Lia e Raquel. 28:1 – 30:43.
- Jacó Retorna a Canaã. 31:1-55.
- O Encontro de Jacó com Esaú. 32:1 – 33:17.
- Jacó e sua família em Siquém. 33:18 – 34:31.
- A Volta a Betel. 35:1-29.
- Edom e Seu Povo. 36:1-43.
- José. 37:1 – 50:26.
- Primeiras Experiências de José. 37:1-36.
- Judá e Tamar. 38:1-30.
- José e a Esposa de Potifar. 39:1-23.
- As Experiências de José na Prisão. 40:1-23.
- José e Faraó. 41:1-57.
- A Primeira Visita dos Irmãos. 42:1-38.
- Outras Experiências com os Irmãos. 43:1-34.
- A Proposta Sacrificial de Judá. 44:1-34.
- O Convite de José a Jacó. 45:1-28.
- A Migração para o Egito. 46:1-34.
- Jacó e Faraó. 47:1-12.
- O Administrador do Sustento. 47:13-27.
- Jacó e os Filhos de José. 47:28 – 48:22.
- A Bênção Solene. 49:1-27.
- Dias Finais. 49:28 – 50:26.
